Desde o mês retrasado temos conversado com profissionais do GRUPO GERIATRICS para eles contarem um pouco a respeito dos desafios que suas áreas enfrentam no dia-a-dia da saúde. Em outubro, por exemplo, tivemos uma conversa com a fisioterapeuta Juliana Costa, coordenadora de equipe na empresa.

Neste semana, a fonoaudióloga Adriana Garcia (na foto, a primeira à esquerda) é quem reparte um pouco da sua história e fala como enxerga o futuro da profissão, que apesar de regulamentada nos anos 80, é praticada desde os anos 30.

Quando ela estava em formação na faculdade, Adriana fez estágios na área educacional com crianças em distúrbios de aprendizagem, distúrbios na fala e crianças com patologias neurológicas. Após se formar em 2003, trabalhou primeiro com Audiologia, mas a área que realmente a apaixonou foi a Fonoaudiologia Hospitalar, Disfagia, Distúrbios de linguagem. “Saber que você poderia ajudar alguém a voltar a se alimentar por via oral, e se comunicar de alguma forma. Isto me fascinou”, ela se recorda.

Como foi sua formação?

Após 2 anos de formada fiz a pós-graduação em Fonoaudiologia Hospitalar, e comecei a trabalhar no hospital, onde atuava com terapia intensiva, com o CTI adulto, na Neonatal (aleitamento materno), pré-operatório e pós-operatório, sempre voltado para o distúrbio de deglutição, disfagia. Neste período também já comecei a atuar em home care, que cada vez mais me fez afirmar que fiz a escolha certa da profissão. Estar dentro da casa de cada paciente, na história daquela família, podendo ajudar com todo seu conhecimento, muitas das vezes por anos, você acaba se tornando da família. Não é fácil você estar sozinho, pois no hospital você tem toda a equipe multidisciplinar junto no dia-a-dia, as trocas ficam mais fáceis.  Porém hoje em dia, no home care já consigo ver melhor integração da equipe em juntos buscarmos o melhor para o paciente. No GRUPO GERIATRICS entrei como Fonoaudióloga em 2007, e assumi a coordenação em 2019, um grande desafio para mim e espero poder contribuir na melhor forma.

Que tipo de caso mais surpreende você nestes anos de profissão?

Eu já atuo há 15 anos em home care, saber que você pode estar ali ajudando o paciente em seu lar a voltar a se alimentar tem um valor afetivo, ou mesmo voltar a se comunicar , após um AVC, um Aneurisma, ou outro acometimento da compreensão ou expressão deste paciente é muito prazeroso. Manter o máximo que pudermos este paciente funcional em uma doença degenerativa. Atendo aos meus pacientes como se fosse meu pai, minha mãe, meu filho, meus avós.

Eu me coloco no lugar deste paciente, desta família, devemos ter empatia principalmente, tentar entender aquela família muitas vezes aflita na esperança de um mínimo de reabilitação, de autonomia, de conforto, de prazer.

Tenho muitos casos, cada vitória é uma alegria muito grande, mas tem um que foi de uma paciente jovem, linda, de 29 anos, acidente automobilístico. Após a alta hospitalar assumi no home hare a paciente com uma mãe extremamente angustiada, afinal sua única filha não interagia a nenhum estímulo, não reconhecia a nada e ninguém, com ventilação mecânica, GTT, e sem nenhum prognóstico evolutivo. Aos poucos fomos reabilitando, conseguimos junto à equipe de Fisioterapia retirar a TQT, paciente retornou a alimentação por via oral e conseguimos que a paciente voltasse a falar e a interagir dentro de suas limitações. Este foi um caso que fiquei muito feliz. Mas são muitos casos nestes 15 anos de Fonoaudiologia Hospitalar, nem sempre iremos ter sucesso total, mas sempre teremos uma palavra de conforto, um alívio, uma esperança de dias melhores. 

Que conselho você daria para um jovem profissional?

Se quiser ser um bom fonoaudiólogo, precisa ser uma pessoa capaz de observar e analisar. É fundamental que goste de interagir com o outro, que seja proativo, que goste de cuidar das pessoas, e que goste de estudar, pois cada dia surge estudos novos, novas tecnologias, novas áreas de atuação, e temos que estar sempre nos atualizando como também em muitas outras áreas do mercado de trabalho. E o principal de todos, EMPATIA  pelo próximo. Sempre fazer a auto-análise: e se fosse eu ali como paciente, como eu gostaria de ser tratado? 

Que dificuldades você acha que a profissão mais enfrenta?

O maior desafio é mostrar que a Fonoaudiologia é uma ciência séria, com base científica e fundamental para o quadro multidisciplinar. Mas acho que cada dia mais tem ganhado espaço, mas temos muito caminho ainda a percorrer. Tem também a questão da luta salarial.

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