A revista Science, uma das mais prestigiosas publicações da área, trouxe esse mês uma reportagem que revê tudo que se falou a respeito de dietas para aumentar a longevidade. A análise de dietas mirou os estudos feitos com roedores e avançou em alguns casos, quando havia dados, para o comportamento do organismo humano. Em reportagem no jornal Estado de São Paulo, nesse final de semana, os resultados foram publicados para a dieta de restrição calórica, jejum intermitente, restrição de proteínas e dieta cetogênica.

Não há evidências que em humanos qualquer dessas dietas aumentem o tempo médio de vida. No entanto, isso não significa que elas não tragam benefícios para a vida das pessoas, aponta o biogerontologista Matt Kaeberlein, coordenador do estudo. É que, por exemplo, para algumas pessoas, as chamadas dietas antienvelhecimento podem servir de motivação para a melhoria dos hábitos. O principal conselho é que não existe respostas milagrosas, nem dietas que sejam a única salvação, ainda mais se levamos em conta que para cada organismo haverá uma resposta e isso muda de acordo com a idade que a pessoa está. Se fizer uma dieta aos 20 anos, será diferente de fazer a mesma dieta aos 60.

Para a reportagem, a geneticista Mayana Zatz (USP) diz o seguinte: “Existem centenários que aguentam qualquer desaforo do ambiente; pessoas que vivem muitos anos mesmo sem ter um estilo de vida saudável. Eles são exceção. Para a maioria das pessoas, há uma interação entre o genoma e o ambiente. Muitos genes devem atuar para aumentar a longevidade, mas o ambiente tem um papel muito importante. O exercício físico é consenso; não há dúvida de que ele aumenta a expectativa de vida com qualidade”.

RESULTADOS

Restrição calórica

Redução drástica de até 50% das calorias diárias, sem chegar ao estado de desnutrição. É a única que demonstra ser capaz de ampliar a longevidade de roedores em diferentes estudos avaliados pelos pesquisadores da Universidade de Washington

Jejum intermitente

Propõe períodos de jejum durante alguns dias, com ingestão apenas de líquidos. Em estudos clássicos, os animais são alimentados três vezes por semana. Não há evidências robustas de que esse tipo de intervenção prolonga a vida dos roedores

Restrição de proteínas

Em humanos, a proposta é reduzir ou eliminar o consumo de leite e seus derivados, ovos e carnes. Algumas pesquisas indicaram aumento da longevidade em camundongos e ratos machos, mas o efeito não foi encontrado nas fêmeas

Dieta cetogênica

Consiste na eliminação de carboidratos (arroz, pães, massas etc) e aumento do consumo de proteínas e gorduras insaturadas (encontradas no salmão, por exemplo). Em camundongos, não há evidências robustas de que aumenta a longevidade

PERGUNTA E RESPOSTAS

Restrição calórica sempre funciona?

Não é verdade. Embora existam evidências de expansão da longevidade e da vida com saúde em roedores submetidos à restrição calórica, diversos estudos não demonstraram os mesmos resultados. 

Restrição calórica aumenta a longevidade apenas porque previne o câncer?

Não é bem assim. O efeito anticâncer foi observado em roedores, mas os estudos também indicam que ela retarda a deterioração relacionada à idade em tecidos de órgãos como cérebro, coração e rins. 

Macronutrientes individuais são bons ou ruins para o envelhecimento? 

A composição da dieta, a quantidade de calorias ingeridas e o intervalo entre as refeições têm potencial de afetar a longevidade. A ciência ainda tem muitas dúvidas sobre os mecanismos por trás desses efeitos em animais.  

Dietas antienvelhecimento reduzem o envelhecimento em humanos?

Não é verdade. Apesar da popularização dessas dietas, não existem evidências fortes de que os esquemas estudados em animais também sejam capazes de ampliar a longevidade das pessoas. 

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