Neste 7 de abril, data da celebração do Dia Mundial da Saúde, todas as organizações de saúde se voltam para a análise do que estão construindo para o futuro e como os países abordam a saúde em suas ações de massa. Pode-se analisar o cenário pelo prisma das recomendações da OMS ou a partir das grandes promessas que a ciência oferece para as próximas gerações em termos de pesquisa e mudanças.

Não obstante, nos detemos na qualidade de vida que levamos, razão principal para prolongar a longevidade, que cada vez mais sabe-se que depende de uma boa dieta e combate ao sedentarismo e maus hábitos como o tabagismo.

Este ano, convidamos nossos leitores para refletirem sobre a saúde das crianças. Os pais mais zelosos sabem como tratar a saúde dos pequenos? É importante que os pais fiquem atentos aos sintomas que podem aparecer e mantenham as consultas médicas em dia. Assim como os adultos, as crianças precisam verificar regularmente como anda a saúde. 

A rotina de exames laboratoriais de uma criança começa ainda na maternidade, com a realização do teste de triagem neonatal biológica, mais conhecido como teste do pezinho, que consiste na coleta de uma amostra de sangue retirada do calcanhar do bebê.

Obrigatório para todos os recém-nascidos e gratuito na rede pública, ele deve ser feito entre o 3.º e o 5.º dias de vida.

O teste avalia a presença de doenças como:

  • Fenilcetonúria (doença do metabolismo),
  • Hipotireoidismo congênito,
  • Doença falciforme e outras hemoglobinopatias,
  • Fibrose cística,
  • Deficiência de biotinidase,
  • Hiperplasia adrenal congênita.

Desde o ano passado, uma lei foi sancionada para ampliar para 50 o número de doenças diagnosticadas pelo teste no SUS.

Há ainda outros exames realizados na maternidade antes da alta. O teste da linguinha verifica se a criança não tem língua presa; o do coraçãozinho, que avalia a saturação de oxigênio, testa a função cardíaca; o quadril avalia uma possível luxação congênita do quadril; e o de triagem auditiva identifica possíveis perdas na audição.  

Com 1 ano de idade a criança deve fazer a primeira coleta de sangue para avaliar os estoques de ferro (ferro circulante) e dosagem da ferritina (ferro em estoque). Se necessário, também podem ser solicitados testes de urina e fezes. 

Para que os bebês cresçam e se desenvolvam bem, é preciso que os pais logo organizem o calendário de puericultura, área da pediatria que acompanha o crescimento, o desenvolvimento físico e motor, a linguagem, a afetividade e a aprendizagem cognitiva. 

A primeira consulta após a alta da maternidade deve ocorrer entre 7 e 10 dias de vida. Depois, consultas mensais até os 6 meses. Dependendo do bebê, podem seguir mensais, mas, em geral, passam para bimestrais até 12 meses. Então trimestrais até 18-24 meses. E, a partir disso, semestrais até os 5 anos. Após essa ida, anuais, com atenção especial ao período da puberdade, quando uma observação mais próxima pode ser necessária.

Em geral, o pediatra basta para o acompanhamento rotineiro, podendo indicar subespecialistas (endocrinopediatra, nefropediatra, cardiopediatra, etc.) quando necessário.  

O odontopediatra pode ser consultado a partir do aparecimento do primeiro dente, que deve ocorrer até o primeiro aniversário, para orientação de cuidados bucais. Antes disso, cabe ao pediatra orientar a higiene oral durante a fase de aleitamento. 

Como rotina, o oftalmologista deve ser consultado em torno dos 3 a 4 anos. Cada criança pode ter indicação mais precoce conforme fatores de risco, como familiares doentes ou prematuridade.

VACINAÇÃO E COVID-19

Segundo autoridades médicas, com o avanço da ômicron é imprescindível que as crianças sejam rapidamente imunizadas.

O imunizante utilizado na população entre 5 e 11 anos é o da Pfizer, autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 16 de dezembro de 2021.

O artigo 227 da Constituição diz que “é dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”

Segundo Iberê de Castro Dias, juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Guarulhos, na Grande São Paulo, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) não dá margem para esse tipo de discordância quando põe como obrigatória a vacinação das criançasnos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. E isso vale também para a Covid-19.

É ilegítima a recusa à vacinação dos filhos por questões filosóficas ou religiosas, disse o magistrado em entrevista para o jornal Folha de São Paulo. Em termos genéricos, pais e mães não podem dizer que a religião não permite a vacinação ou alegarem que são veganos, por exemplo. No fim do ano passado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos EUA, divulgou informações sobre dois estudos. Um deles concluiu serem raros problemas graves em crianças de 5 a 11 anos imunizadas com o produto da Pfizer. Outro verificou que crianças internadas com quadro grave da doença não haviam sido totalmente vacinadas.

Para emergências:        +55 21 3262-0100