Vamos conversar um pouco sobre alguns aspectos relevantes dessa área da saúde?

O principal eixo de atuação nos Cuidados Paliativos está relacionado ao fato de que, diante de uma condição que ameace a vida, devemos dar ao paciente o melhor cuidado que possa aliviar sua dor, entendendo aqui que essa não é unicamente uma dor física, mas abarca questões psíquicas, existenciais e espirituais.

Esse cuidado deve incluir familiares e amigos, por se tratar de diagnóstico de doença grave, limitante e ameaçadora da vida.

Existe um profissional e um local específicos para essa atuação?

A partir de um diagnóstico que certamente vai impactar a vida de todos, mudando planos, expectativas, desejos e esperanças do grupo como um todo, os Cuidados Paliativos devem ser iniciados já na apresentação do diagnóstico, promovendo o acolhimento necessário para a adaptação psíquica, que ocorrerá e seguirá contínua ao longo da curva de evolução da doença, para além dos tempos e dos espaços de consulta. 

Esses cuidados podem ser oferecidos em diversos ambientes, como ambulatórios, salas de emergência, internação hospitalar e/ou assistência domiciliar, mas devem ser conduzidos por equipe multiprofissional treinada para essa atuação.

Afinal é uma conduta humanística ou medicina por evidência?

Além de uma conduta humanística, os Cuidados Paliativos levam ao paciente uma melhor convivência com sua doença por uma série de intervenções precisas e eficazes. Não se trata de desistir da vida, e sim de aproveitá-la da melhor maneira possível, deixando de lado condutas que podem prolongar o sofrimentosem agregar valor à qualidade de vida. 

É um cuidado que exige grande embasamento técnico, apoiado em medicina por evidência para a prescrição de tratamentos e procedimentos de controle da doença, lembrando que o foco não é mais a cura, mas sim a qualidade de vida. Portanto, o quanto antes a integração paliativa ocorrer, melhor o paciente se sentirá, maior será a qualidade do tempo de sobrevida dele e mais fácil será a tolerância e a adaptação às diferentes fases de progressão da doença. 

O que talvez pouca gente saiba é que, quando bem executada e iniciada precocemente, essa abordagem paliativa reduz taxas de depressão, aumenta a qualidade de vida e até mesmo prolonga a sobrevida dos pacientes. 

Recentes evidências de qualidade, como, por exemplo, uma meta-análise publicada no JAMA 2017, avaliando 43 estudos randomizados e controlados, mostram que a intervenção específica de Cuidados Paliativos é capaz de melhorar a qualidade de vida e o controle de sintomas de pacientes que enfrentam doenças graves e que, em algumas situações, aumentam o tempo de sobrevida.

Os profissionais que se envolvem com essa atuação têm que lidar com a natureza multidimensional do sofrimento humano diante de uma doença grave. É uma atividade que, sem dúvidas, exige preparo adequado. 

A abordagem com CUIDADOS PALIATIVOS reduz taxas de depressão, aumenta a qualidade de vida e até mesmo prolonga a sobrevida dos pacientes.

Qual é a formação ideal para esses profissionais? Existe um título de especialista?

Cuidados Paliativos não são considerados uma especialidade da medicina, mas sim uma área de atuação da saúde que deve trabalhar com equipe multiprofissional bem preparada.

O caminho de formação para o profissional que deseja atuar na área envolve diversas categorias de titulação. 

Existem os cursos livres para conhecimento de conteúdo voltado para toda a equipe multidisciplinar, alguns com carga horária extensa e bastante completa. 

Há os cursos de pós-graduação lato sensu, que são programas de especialização, e os cursos de MBA e pós-graduação strictu sensu, que são os programas de mestrado e doutorado.

Ainda não existe o Registro de Qualificação de Especialista – RQE para Cuidados Paliativos, mas os profissionais que pretendem atuar na área podem aplicar para um Certificado de Área de Atuação emitido pela AMB, através de um Exame de Suficiência em Medicina Paliativa. 

Nos últimos anos a AMB tem organizado o certificado com alguns pré-requisitos, como por exemplo, o título de especialista ou residência médica oficial reconhecido pela Comissão Nacional de Residência Médica – CNRM, em uma das seguintes especialidades correlatas:

  • Anestesiologia – SBA/AMB
  • Pediatria – SBP/AMB 
  • Cancerologia e/ou Oncologia Clínica – SBC ou SBOC/AMB  
  • Clínica Médica – SBCM/AMB
  • Geriatria – SBGG/AMB
  • Medicina de Família e Comunidade – SBMFC/AMB
  • Medicina intensiva – AMIB/AMB
  • Neurologia – ABN/AMB 
  • Cirurgia de Cabeça e Pescoço – SBCCP/AMB

Para receber o Certificado, é exigido também um comprovante de atuação na área de Medicina Paliativa/Cuidados Paliativos por um período mínimo de quatro anos completos. 

Como se faz a abordagem para que haja o maior engajamento em Cuidados Paliativos?

A sociedade tem um entendimento de que fazer intervenções é sempre bom e deixar de fazer é sempre ruim. Esse é um paradigma cultural que precisamos desfazer para que haja um engajamento nas diversas condutas. Devemos dizer que os pacientes e seus familiares incorporam a informação prognóstica à medida que conseguem preservar suas habilidades de atuar no mundo. 

É muito difícil para o paciente, ao receber um diagnóstico impactante, ter que lidar com todas as questões que se apresentam naquele momento. 

Muitos questionamentos e enfrentamentos surgem sobre sua capacidade de ocupar um lugar no mundo com essa nova informação.

A prática também incorre em um custo menor geral para o sistema de saúde como um todo, preservando a sustentabilidade do macroprocesso.

Dentre as frentes de atuação dos Cuidados Paliativos, além das condutas técnicas efetivas para tratar a evolução clínica da doença, devemos observar a importância da maneira como é feita a comunicação sobre diagnóstico e prognóstico, que nem sempre ocorre de forma linear. Como componente-chave da abordagem dos Cuidados Paliativos precoce, em estágios menos avançados na trajetória de doença, devemos abordar a noção prognóstica.

Noção prognóstica é o conceito definido pela capacidade de a pessoa entender seu prognóstico e os cursos mais prováveis de sua doença. O objetivo disso é que o paciente possa adaptar-se psicologicamente e participar da forma mais autônoma possível no processo de decisão compartilhada em saúde, incorporando assim seus objetivos, desejos e valores aos planos de cuidado.

Segundo Jacobsen*, os médicos clínicos presumem que os pacientes não tenham entendimento de seus prognósticos por duas principais razões: 

a) a forma de comunicar é pouco clara; 

b) o paciente simplesmente não entende. 

Mas será que temos realmente esses dois caminhos? 

Precisamos levar em consideração que esse diagnóstico e esse prognóstico provocam uma ruptura com as expectativas do paciente e, portanto, ele tem de reorganizar suas ideias com base em novas perspectivas. Isso não é tão simples. É um caminho com vários estágios, atrelados a uma técnica de escuta empática que é fundamental à prática dos cuidados paliativos.

Mensagem final sobre os cuidados paliativos

Os cuidados paliativos devem fazer parte do cuidado de todos os pacientes com doença grave que limite a sobrevida, seja a curto ou longo prazo. A comunicação é uma parte fundamental deste cuidado, sendo uma habilidade fundamental para todo médico. Dentro desse cuidado, a conversa acerca de noção prognóstica, em conjunto com o paciente, deve ser implementada precocemente.

Temos que entender também que os cuidados paliativos entregam uma trajetória ao longo da curva da doença com distintos valores associados, além da conduta que preza a qualidade e a dignidade da vida do paciente, muitas vezes até aumentando sua sobrevida com qualidade. A prática também incorre em um custo menor geral para o sistema de saúde como um todo, preservando a sustentabilidade do macroprocesso.

Atuação do GRUPO GERIATRICS

Nós, do GRUPO GERIATRICS, acreditamos em uma transição do cuidado feita da forma mais adequada aos desfechos com o maior valor para o paciente. 

Temos atuado com uma equipe preparada tanto na abordagem precoce quanto na terminalidade com equipe multiprofissional qualificada, conduzindo cuidadosamente o processo de [C1] em domicílio e em nossa unidade de transição, a Clinic Care. 

Temos apresentado o resultado de nossa atuação em alguns congressos e recebido alguns prêmios e reconhecimentos por nossa atuação. 

Veja alguns desses trabalhos:

http://www.geriatrics.com.br/16o-ciad-coloca-estudo-do-grupo-geriatrics-em-primeiro-lugar-da-premiacao/

http://www.geriatrics.com.br/portfolio/2017-obito-domicilar-no-programa-de-cuidado-paliativo-construcao-de-conceito-e-valor/

http://www.geriatrics.com.br/congresso-de-cuidados-paliativos-comeca-hoje-e-tera-simposio-do-grupo-geriatrics/

http://www.geriatrics.com.br/portfolio/2016-obito-domiciliar/

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