Este 1 de dezembro marca em todo o mundo a data de luta contra o HIV. O dia no calendário constitui uma oportunidade para apoiar as pessoas envolvidas na luta contra o vírus e melhorar a compreensão dele como um problema de saúde pública global. É preciso mais atenção no enfrentamento e ainda o fim do estigma que acompanha a doença.

Os dados não estão favoráveis na América Latina, as novas infecções por HIV não diminuíram na década de 2010 a 2020. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde e do UNAIDS, 2,4 milhões de pessoas vivem com o HIV na América Latina e no Caribe; 81% delas foram diagnosticadas. Destas, 65% receberam tratamento e 60% tinham carga viral suprimida.

O relatório mais recente da Unaids (Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids) aponta que o aumento das desigualdades e o agravamento das restrições financeiras têm piorado o enfrentamento da epidemia de Aids no Brasil e no mundo, levando ao crescimento de novas infecções e tornando mais distante a meta de a doença deixar de representar uma ameaça de saúde pública até 2030.

Dados do Ministério da Saúde entre 2010 e 2020 mostram uma queda de 9,8% na proporção de casos de Aids entre as pessoas brancas mas um aumento 12,9% entre a população negra.

Também representam barreiras para o acesso aos serviços de HIV o estigma, a discriminação e a criminalização de populações-chave, travestis e pessoas trans, gays e homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo, pessoas em privação de liberdade e usuários de drogas injetáveis, informa reportagem do jornal Folha.

Para o Unaids, o Brasil deve dar atenção especial aos jovens, considerando os diferentes ambientes urbanos, rurais e periféricos, além das comunidades quilombolas e indígenas.

Dados do Ministério da Saúde indicam que novas infecções pelo HIV têm crescido justamente entre a população jovem, entre 15 e 24 anos.

Outro efeito das desigualdades sobre a resposta ao HIV e à Aids apontado pelo relatório é o da masculinidade tóxica, ao desencorajar os homens de procurar os cuidados de saúde.

Enquanto 80% das mulheres vivendo com HIV tiveram acesso ao tratamento em 2021, a proporção de homens é de 70%.

FINANCIAMENTO PÚBLICO

O governo federal retirou do orçamento do próximo ano R$ 407 milhões destinados à prevenção, controle e tratamento de Aids/HIV. O corte também atinge programas de tratamento contra hepatites e torna mais difícil atingir a meta até 2030 de eliminar a AIDS. À medida que os testes e o número de resultados positivos são reduzidos, existe um risco significativo de retrocesso no progresso em direção às metas de eliminação. 

PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO

Comprimidos de Prep.

Desde 2015, a OPAS e o UNAIDS recomendam a introdução da PrEP, que pode ser tomada por quem não vive com o HIV, mas tem alto risco de contraí-lo. Essa população representa 92% dos novos casos de HIV na América Latina. Recentemente, o Ministério de Saúde decidiu estender a profilaxia pré-exposição para jovens em situação de maior risco de infecção pelo HIV a partir dos 15 anos de idade. O Brasil já conta com o modelo de Prep em comprimido fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde. O dispositivo envolve tomar todo dia uma cápsula formada pelos antirretrovirais tenofovir e entricitabina, medicamentos eficazes contra o HIV, então, se alguém for exposto ao vírus, ele não conseguirá se replicar no organismo da pessoa.

Agora deve entra em teste uma forma injetável subcutânea a cada seis meses. No momento, os pesquisadores estão no estágio de recrutamento de participantes. Ao todo, espera-se atingir um total de 3.000 voluntários.

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