Neste blog, quando publicamos em fevereiro a respeito dos temas que dividiriam nossa atenção no setor de saúde durante 2020, listamos dois assuntos que frente à realidade se impuseram como os mais atuais: o uso da telemedicina e as aplicações da Inteligência Artificial. No último mês de março, o Conselho Federal de Medicina liberou em caráter excepcional a telemedicina e, atualmente, organizações de pesquisa e instituições de governo estão colocando força no compartilhamento de dados e análises para turbinarem programas computadorizados de inteligência .

Neste momento, empresas como a Microsoft e a Google estão compartilhando suas expertises para analisarem um grande volume de estudos científicos com a Casa Branca, o governo dos Estados Unidos.
Ao rastrear artigos médicos a Inteligência Artificial dessas organizações filtra as teses que podem oferecer saídas para a crise do coronavírus, como opções de tratamentos e caminhos para políticas públicas serem elaboradas.

O principio desse algoritmo, que faz uma análise de trabalhos científicos para criar simulações de terapias que tratem a Covid-19, também tem sido aplicado na ajuda aos hospitais: com levantamento de dados a respeito de leitos e perfis de pacientes, a IA consegue auxiliar médicos nas decisões difíceis, tal qual o encaminhamento de doentes aos leitos de terapia intensiva – cada vez mais escassos em meio à pandemia – delegando assim, os pacientes prioritários à vagas disponíveis.
Entretanto, a classe médica e profissionais da Ética e do Direito discutem como esses critérios podem afetar parcelas especificas da população. Por exemplo, os computadores podem encaminhar de maneira utilitarista pacientes com menos comorbidades, deixando grupos mais vulneráveis com menos chances de conseguirem ajuda médica, justamente os de classes sociais mais baixas. Apesar do dilema, profissionais envolvidos na linha de frente são unânimes em aceitar o auxílio informatizado, destacando que os critérios, mesmo os menos subjetivos, devem ser discutidos de maneira pública com a sociedade.

Os bons sistemas de Inteligência Artificial conseguem em hospitais de ponta até prever a quantidade de máscaras e álcool em gel que precisam ser comprados. E, no macroambiente, modelos de computação aliados a tecnologia GPS conseguem medir como está o isolamento das populações nas grandes cidades.

A cidade de Hong Kong utiliza QR Code e pulseiras como parte da estratégia de combate ao coronavírus.

Através dos aparelhos de telefone celular, o governo de São Paulo, por exemplo, publica uma lista da situação nos 40 maiores municípios do Estado, tudo graças a um acordo com as operadores de telefonia que lhe passam a localização e deslocamento de todos os usuários paulistas. Já em Hong Kong, pulseiras com QR code são usadas para controle de sintomas e em Pequim medidas ainda mais “invasivas” foram tomadas, como scanner facial e medição de temperatura dos cidadãos. À medida que obrigações dessa natureza são compulsórias na China, especialistas se perguntam no Brasil o quanto da violação de privacidade a sociedade poderá aguentar sem prejuízo de seus direitos fundamentais?

Um ponto crucial onde a Inteligência Artificial está sendo bem utilizada é nos testes para detectar o coronavírus. Com os laboratórios sobrecarregados a resposta de exames tem demorado para sair, mas modelos com algoritmos combinam testes de sangue e conseguem responder rapidamente se o diagnóstico é positivo ou negativo com acerto em 78% das vezes. Ainda existe probabilidade de erro em outros 22%, mas combinados com os testes rápidos pode-se oferecer uma orientação melhor para um paciente que precisa ficar em casa e, assim, proteger as equipes de saúde que estão na luta diária contra o vírus.

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